Bolsa Família sofre corte de R$ 7,7 bilhões e pode excluir até 840 mil famílias | O ano de 2025 começou com mudanças significativas na política de assistência social no Brasil. O governo federal anunciou um corte de R$ 7,7 bilhões no orçamento do Bolsa Família, reduzindo os recursos do programa de R$ 167,2 bilhões para R$ 159,5 bilhões. A medida pode levar à exclusão de até 840 mil famílias, gerando debates sobre os impactos sociais e a eficácia das novas regras.
Especialistas e organizações sociais alertam para consequências negativas, sobretudo entre os mais vulneráveis, que podem perder uma de suas principais fontes de renda em meio a um cenário de incerteza econômica.

Novas regras do Bolsa Família aumentam exigências e fiscalização
As mudanças no Bolsa Família envolvem regras mais rígidas, com a justificativa de combater fraudes e revisar cadastros. Entre as principais alterações estão:
Entrevistas domiciliares obrigatórias para famílias unipessoais, a fim de evitar cadastros fraudulentos. No entanto, especialistas alertam que essa exigência pode dificultar o acesso ao benefício para idosos, pessoas com deficiência e moradores de áreas remotas.
Nova regra de proteção: antes, famílias que registravam um aumento temporário na renda podiam continuar no programa por um período de transição. Agora, os critérios serão definidos exclusivamente pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), gerando incerteza sobre a permanência no programa.
Revisão cadastral intensificada: desde janeiro de 2025, o governo tem promovido um “pente-fino” nos cadastros do Bolsa Família. Embora o objetivo seja garantir que o benefício chegue a quem realmente precisa, há o risco de exclusão indevida de famílias vulneráveis devido a erros administrativos ou dificuldades na atualização dos dados.
Investimento em fiscalização: o governo pretende destinar cerca de R$ 13 bilhões a programas complementares, utilizando cruzamento de dados, visitas domiciliares e inteligência artificial para verificar a elegibilidade dos beneficiários.
Impacto real na vida das famílias brasileiras
O corte no orçamento e a exclusão em massa de beneficiários podem aumentar a insegurança alimentar, a evasão escolar e a dependência de outras formas de assistência social. Para muitas famílias, o Bolsa Família representa a única fonte de renda, garantindo o sustento básico.
Economistas e especialistas sugerem que a revisão dos programas sociais deve ser feita com cautela, sem prejudicar aqueles que realmente necessitam. Medidas como investimento em tecnologia, capacitação de agentes sociais e melhor estrutura de atendimento podem ajudar a tornar o programa mais eficiente sem excluir os mais pobres.
A principal preocupação dos estudiosos da área de políticas públicas é que essas mudanças criem um vácuo na proteção social, deixando milhões de brasileiros ainda mais vulneráveis.
A expectativa agora é que o governo avalie os impactos das novas regras e busque alternativas para garantir a continuidade da assistência às famílias que mais precisam.